Sumiço de submarino argentino lembra tragédia russa de 2000

O desaparecimento do submarino argentino com 44 tripulantes, cujo último contato aconteceu na quarta (15), evoca uma tragédia ocorrida no ano 2000 na Rússia.

Na época, o submarino nuclear Kursk sofreu uma explosão no seu compartimento de armas e afundou no mar de Barents (oceano Ártico) matando os 118 tripulantes -o caso é até hoje figura entre os piores acidentes subaquáticos do mundo.

O Kursk, então considerado um orgulho e "indestrutível" pelos russos, era equipado com 24 mísseis de cruzeiro Granit. Ele zarpou em 10, naufragou no dia 12 e foi localizado a 108 metros de profundidade na madrugada de 13 agosto. A tragédia aconteceu quatro meses após a posse do presidente Vladimir Putin, que foi muito criticado por não ter interrompido suas férias quando soube do ocorrido.

Dezessete anos depois, o caso ainda é cercado de dúvidas. Uma investigação oficial disse que um torpedo explodiu dentro do submarino, mas não conseguiu descobrir por que isso aconteceu.

Na época, os militares levaram vários dias para divulgar ao público a gravidade do acidente, prolongando a agonia dos parentes das vítimas. Todos os marinheiros morreram, a maioria por asfixia. Como se soube graças a um bilhete deixado pelo tripulante Dmitri Kolesnikov, 23 pessoas ainda sobreviveram por várias horas após a explosão.

"13h15. Todo o pessoal dos compartimentos seis, sete e oito passou para o nove. Somos 23. Tomamos esta decisão por causa do acidente. Ninguém pode subir", diz o texto do bilhete, sem precisar se a palavra subir se referia à superfície ou simplesmente a um nível superior do submarino.

Em seguida, com uma letra pouco legível, estão assinaladas as cifras "13, 5" e a menção "escrevo por tato", o que entendeu-se que os marinheiros estavam na mais completa escuridão.

O governo russo passou mais de uma semana tentando uma operação para resgatar os tripulantes do submarino. Temia-se um acidente parecido com o de Chernobyl por se tratar de um submarino nuclear. Diversos países ofereceram ajuda que a Rússia foi reticente em aceitar já que a embarcação continha tecnologia e segredos militares.

A indecisão e a demora deixaram uma imagem de "incompetência" das autoridades, segundo relatos da imprensa na época.

Nas buscas, o governo identificou 115 tripulantes, mas três corpos foram considerados irrecuperáveis.

RESGATE

O submarino Kursk, que possuía 154 metros de comprimento e quase 20 mil toneladas de peso, foi içado em outubro de 2001, mais de um ano depois de seu naufrágio. A retirada da embarcação do fundo do mar durou pouco mais de 15 horas e foi feita pela companhia holandesa Mammoet.

Após o ocorrido, o então procurador-geral da Rússia, Vladimir Ustinov, publicou um livro, intitulado "Kursk" com a versão oficial da tragédia.

Um filme com a história do Kursk começou a ser rodado no começo do ano, mas ainda não há previsão de lançamento. O longa é dirigido por Thomas Vinterberg e conta com Matthias Schoenaerts, Colin Firth e Léa Seydoux no elenco.

OUTROS ACIDENTES COM SUBMARINOS RUSSOS

Julho de 1961 - O capitão e sete membros da tripulação morreram quando radiação vazou do primeiro submarino nuclear da União Soviética. Um tubo do sistema de controle dos dois reatores havia se rompido.

8-10 de março de 1968 - O submarino soviético do tipo Golf II (a classificação é da Otan - Organização do Tratado do Atlântico Norte), a diesel, que carregava três mísseis do tipo SS-N-5, afundou no Pacífico. O submarino K-219 também poderia estar carregando dois torpedos nucleares.

12 de abril de 1970 - O submarino nuclear Novembro afundou no Oceano Atlântico, próximo à Espanha. O submarino k-8 estava equipado de dois reatores nucleares e carregava dois torpedos.

8 de setembro de 1977 - O submarino Delta 1 bateu acidentalmente num ogiva de míssil na península de Kamchatka, no nordeste do país.

10 de agosto de 1985 - Uma explosão devastou a Shkotovo 22, uma plataforma de consertos de navios e serviços de abastecimento nuclear da Marinha soviética. Dez pessoas morreram. Muitas morreram depois, por terem ficado expostas à radiação.

6 de outubro de 1986 - O submarino nuclear Yankee, que carregava 16 mísseis SS-N, cada um com duas ogivas, além de dois torpedos nucleares, naufragou a cerca de 1.000 quilômetros ao nordeste das Bermudas.

7 de abril de 1989 - O submarino nuclear Mike afundou no norte da Noruega, matando 42 pessoas depois de um incêndio a bordo. O Komsomolets estava carregando dois torpedos nucleares.

27 de setembro de 1991 - Durante exercícios de treinamento a bordo do submarino Typhoon no mar Branco (norte do país), um míssil errou o alvo. O submarino, armado com mísseis nucleares e torpedos, retornou à base com segurança.

20 de março de 1993 - O submarino nuclear Delta 3, que carregava mísseis balísticos e operava no mar Barents (norte do país), foi atingido pelo submarino nuclear norte-americano Grayling. Ambos voltaram para as suas bases.

Fonte: FolhaPress

Categoria:Pará

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